Nos dias 4 e 5 de setembro, a Chapada Diamantina recebeu o início de uma formação dedicada a um dos maiores patrimônios da região: o café. O curso de extensão “Indicação Geográfica do Café: transição agroecológica e turismo comunitário” reuniu, em Seabra (BA), produtores de café, representantes de quatro cooperativas, professores, integrantes de comunidades quilombolas, representantes do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar) e da Prefeitura de Seabra, por meio das secretarias de Turismo e Agricultura.
Promovida pelo Instituto Federal da Bahia (IFBA), campus Seabra, a formação integra uma iniciativa voltada ao fortalecimento das Indicações Geográficas (IGs) por meio de pesquisa, extensão e formação continuada. Com carga horária de 80 horas, o curso pretende valorizar a identidade da produção cafeeira local e aproximar os diferentes atores que atuam no território.
A programação é presencial, dividida em módulos, e vai passar por diversos municípios da Chapada Diamantina nos próximos meses. Já estão previstas as seguintes etapas:
Piatã (BA), 9 e 10 de outubro: Transição Agroecológica;
Bonito (BA), 30 de outubro: Turismo Comunitário;
Ibicoara (BA), 27 e 28 de novembro: Visitas de campo e apresentação dos produtos técnicos.
O primeiro módulo contou com a participação de Camila Collpy G. Fernandez, professora do Instituto Federal de São Paulo (IFSP) e coordenadora do Eixo de Turismo do Programa de Desenvolvimento de Indicação Geográfica do Ministério da Educação (MEC). Durante o encontro, ela conduziu a qualificação
“Indicações Geográficas e o Fortalecimento de Destinos Turísticos”, trazendo reflexões sobre como as IGs podem impulsionar o turismo nas regiões em que são reconhecidas.
Ao longo dos dois dias, os participantes aprofundaram os conhecimentos sobre a Indicação Geográfica do Café e discutiram os desafios e as potencialidades da cafeicultura regional. A formação também incluiu atividades de campo, com visita à Cooperativa de Produtores Orgânicos e Biodinâmicos da Chapada Diamantina (Cooperbio), onde o grupo teve a oportunidade de degustar cafés especiais e conhecer de perto o trabalho de um produtor local.Para Camila, o primeiro módulo foi marcado pela troca de experiências e pelo aprendizado sobre a história e a cultura da Chapada Diamantina, com destaque para o saber-fazer local no manejo das lavouras de cafés especiais em Seabra, principalmente as do povoado de Churé (BA).
A professora explica que o impacto de uma Indicação Geográfica vai muito além de agregar valor ao produto: a iniciativa também pode ajudar a diversificar e fortalecer o desenvolvimento turístico do território. “A Chapada Diamantina tem rotas e atrativos voltados ao turismo de aventura e ao ecoturismo, mas concentra a infraestrutura de recepção em alguns municípios apenas. Isso abre espaço para pesquisa, investimentos e capacitação. Foi justamente essa oportunidade que o IFBA identificou no edital da Setec, ao propor capacitações para quem trabalha com café na região, criando vínculos para ações empreendedoras e incentivando a troca de experiências entre representantes das quatro localidades da Chapada”, destacou.